4º Festival do Japão de Brasília | Clube Nipo

4º Festival do Japão e o Clube Nipo de Brasília

O 120º aniversário da formalização do Tratado de Amizade Japão-Brasil está tendo uma comemoração à altura. O Pavilhão do Parque da Cidade recebeu o 4º Festival do Japão em Brasília. O evento trouxe workshops, apresentações de música, exposições, demonstrações de artes marciais e o concurso de miss nikkei 2015.

Foram 2 dias para conferir a programação organizada pela Federação das Associações Nipo-Brasileiras do Centro-Oeste (Feanbra). “É uma forma de difundir questões da comunidade. Muita coisa que é oferecida na ocasião não é mais encontrada por aí. As pessoas têm oportunidade de conhecer a cultura milenar do Japão de verdade”, afirma o coordenador-geral do evento e presidente da Feanbra, Kuniyoshi Yasunaga.

O terceiro maior número de brasileiros no exterior está no país insular no Oceano Pacífico: de acordo com o Portal Brasil, são mais de 175 mil imigrantes. O território brasileiro também é um destino bastante procurado por asiáticos e concentra a maior comunidade de japoneses fora do Japão do mundo, com mais de 1,5 milhão de nipônicos.

Considerado o maior e mais receptivo clube da cultura do país na capital, o Nipo organiza atividades típicas, como aulas de kendô (arte marcial) e de taikô (instrumento de percussão) no Setor de Clubes Sul. Também é ministrada, de graça, uma turma para quem quer aprender a falar japonês. “Fazemos essas coisas para tentar preservar a cultura e as nossas raízes”, explica o diretor cultural da instituição Julio Ikuno. Nos cálculos dele, existem, aproximadamente 18 mil nikkei (descendentes de japoneses) vivendo em Brasília.

Os postos de trabalho mais comuns para os nipodescendentes envolvem cozinha, cultivo ou comércio. “Muitos vieram, ainda em meados de 1960, quando Juscelino (Kubitschek) decidiu instituir o Cinturão Verde, estimulando a produção de frutas, verduras e flores”, emendou o presidente do clube Nipo Inácio Takeudi. Aqui, segundo ele, não se produzia nada. Por isso, quando os japoneses vieram, com força de vontade e disposição, multiplicaram o trabalho e ficaram com a fama de “mestres da terra”.

Existem várias exceções. Mesmo assim, quem se graduou não esquece o passado sob o sol. “Sou advogado em um dos maiores escritórios da cidade. Mas nunca ocultei de onde eu vim. Tenho imenso orgulho do meu avô, que sustentou meu pai com o dinheiro que ganhava no Ceasa, vendendo pitaya — conhecida como a fruta do dragão”, lembrou Paulo Tirashi, 29 anos, filho de um agricultor e de uma vendedora.

Imigração japonesa em foco

Os primeiros japoneses a pisarem em terras tupiniquins vieram à bordo do navio Kasato Maru, que atracou em Santos em 18 de junho de 1908. A embarcação viajou por 52 dias e trouxe os 781 primeiros imigrantes nipônicos, vinculados ao acordo imigratório estabelecido entre Brasil e Japão na época.

Em Brasília, os descendentes de japoneses se estabeleceram, principalmente, na Colônia Agrícola Alexandre Gusmão, em Vargem Bonita, no Núcleo Bandeirante, em Taguatinga e em Planaltina. Atualmente, o número de japoneses morando em Brasília corresponde a quase quatro vezes a quantidade de pessoas vindas do Amazonas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O 107º aniversário da imigração japonesa – comemorado na última quinta-feira por ocasião da chegada do navio Kasato Maru, em Santos – não foi esquecido. A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional promoveu audiência pública na Câmara dos Deputados na data, com a presença do embaixador japonês Kunio Umeda. Na ocasião, o diplomata frisou o interesse em continuar colaborando com o desenvolvimento do Brasil, em especial, na área de recursos humanos.

Aumentar o número de estudantes brasileiros no Japão, por meio de bolsas e do programa governamental de intercâmbios Ciência Sem Fronteiras (CsF), também está entre os planos discutidos na reunião. Além de Umeda, participaram da reunião o cônsul geral honorário do Japão em Belo Horizonte, Wilson Brumer; o cônsul geral honorário do Japão em Salvador, Odecil Oliveira; e o deputado Luiz Nishimori (PR-PR), presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão da Câmara dos Deputados.

Em nota, o embaixador Kunio Umeda informou que entende a presença da comunidade nikkei (descendentes de japoneses que nasceram fora do país do sol nascente) como “indispensável à capital brasileira”, considerando as contribuições importantes deles desde o inicio da construção de Brasília. A agricultura praticada pelos conterrâneos também foi destacada. “Os japoneses trabalharam muito para transformar esta terra em celeiro do mundo, uma vez que não havia cultivo de grãos por aqui”, concluiu.

Fonte: Correio Braziliense

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